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18 de janeiro de 2010

Síntese: Lições de texto- leitura e redação (Descrição)

Descrição.

- Descrição é o tipo de texto em que se expõem características dos seres concretos, consideradas fora da relação de anterioridade e de posterioridade.
a. Como o texto narrativo, é figurativo;
b. Não relata propriamente mudanças de situação, mas propriedades dos aspecto simultâneos dos elementos descritos, considerados numa única situação;
c. Como o que se descreve é isto como simultâneo, não existe relação de anterioridade e posterioridade entre seus enunciados;
d. Os tempos verbais básicos nela utilizados são o presente ou o pretérito imperfeito (ou ambos), pois o primeiro expressa concomitância em relação ao momento da fala, e o segundo, em relação ao momento temporal pretérito instalado no enunciado;
e. Como não se organiza o texto numa progressão temporal, como na narrativa, com muita freqüência, sua organização é espacial.
- Característica fundamental de um texto descritivo é a inexistência da progressão temporal.
- Tudo o que é descrito é simultâneo.
- Pode se apresentar numa descrição, até mesmo ações ou movimentos, desde que sejam sempre simultâneos.
- Para transformar uma descrição em narração, bastaria introduzir um enunciado que indicasse a passagem de um estado anterior ao posterior.
- A descrição serve para apresentar personagens, lugares, estados, que no curso da ação, sofrerão transformações.
- O texto descritivo não relata mudanças da situação; nele, ações e qualidades são vistas como um estado único.

PLATÃO e FIORIN. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo. Ática. 1996.
 
Joyce Cristina Leme Gomes - RGM: 163.388 - Letras - 2ºON - Data: 24/09/02 - Prof. Dr. José Miguel Mattos - UBC

Síntese: Lições de texto: leitura e redação (Narração)

A narração.


Narrativa – é uma mudança de estado operada pela ação de uma personagem. Mesmo que a personagem não apareça no texto, está logicamente implícita. Há dois tipos de mudança:
- Alguém passa a ter alguma coisa que não tinha (Aquisição).
- É aquele em que alguém deixa de ter alguma coisa que tinha (Perda).
Um texto narrativo possui várias transformações. A narrativa típica apresenta, implícita ou explicitamente, quatro mudanças de situação, sejam elas mudanças de aquisição ou de perda:
a. Uma em que uma personagem passa a Ter um querer ou um dever, um desejo ou uma necessidade de fazer algo.
b. Uma em que ela adquire um saber e um poder, competência para fazer algo.
c. Uma que é a mudança principal da narrativa, a realização daquilo que se quer ou se deve fazer.
d. Uma em que se constata que a transformação principal ocorreu e em que se podem atribuir prêmios ou castigos às personagens.
- Uma narrativa é um simulacro das ações do homem no mundo, e um estudo da narrativa é uma teoria da ação realizada em relação às coisas ou aos seres humanos.
- Uma narrativa longa tem várias seqüências e essas seqüências coordenam-se umas as outras.
- A narratividade é um componente que pode existir em textos que não são narrações e ela é a transformação das situações.
- Narração é um tipo de narrativa.
1. É um conjunto de transformação de situações referentes a personagens determinadas, mesmo que sejam coletivas.
2. Como a narração opera com personagens, situações tempo e espaços bem determinados, trabalha com termos concretos, sendo um texto figurativo.
3. No interior do texto narrativo, há sempre uma progressão temporal entre os acontecimentos relatados.
4. Já que o ato de narrar ocorre, por definição, no presente, dado que, o presente indica uma concomitância em relação ao momento da fala, ele é posterior a história contada, que, por conseguinte, é anterior a ele; por isso o subsistema do pretérito é o conjunto de tempos por excelência da narração.
- O narrador pode criar uma narração em que haja uma concomitância entre o tempo da narração e o dos acontecimentos narrados, para simular que eles estão acontecendo no mesmo momento em que estão sendo contados.
- A narrativa profética em que os acontecimentos narrados são vistos posteriores à narração.
- Na narração, as quatros características explicadas acima devem estar conjuntamente presentes. Um texto que tenha só uma dessas características ou duas delas não é uma narração.

Presença do narrador no texto.
- Não se pode confundir narrador com autor. Aquele é a voz com que este constrói o texto. O narrador também pode ser um personagem na história. Narrador implícito também não é autor.
- Autor e narrador podem Ter ideologias e visões de mundo diferentes.
- Há o narrador que participa da história como personagem (1º pessoa) e o que não participa (3º pessoa). Pode ser ainda intruso (3º pessoa), quando toma palavra para comentários fatos ou a composição da história.
- Focalização parcial externa – vemos apenas as ações das personagens, mas não sabemos quais são seus pensamentos.
- Focalização total – não se vêem os acontecimentos a partir do exterior nem a partir do íntimo de uma personagem. Quem vê a cena narrada é onisciente, sabe mais que as personagens, conhece os sentimentos e os pensamentos de cada uma delas. É como se pairasse acima dos acontecimentos, tudo visse e mostrasse tudo ao leitor.

A imagem do leitor.
- Num texto escrito, o narrador pode instalar explicitamente um leitor no texto. Ele, muitas vezes, dialoga com o leitor, que não se confunde com um leitor de carne e osso.

Personagens e espaço.

As personagens.
- O narrador povoa o texto com personagens que são pessoas que existem apenas no fictício.
- A personagem é uma construção de palavras e não uma cópia da realidade, não precisa ser verídica, mas verossímil.
- Um personagem é um simulacro feito de palavras, que contém as possibilidades das ações e paixões de um ser humano.
- Todos os elementos do texto devem ser coerente, organizado e lógico. As personagens devem estar ligada aos demais elementos do texto (tempo, espaço e ações).
- As personagens podem ser tipos ou não. As personagens multifacetadas expressam toda a contradição presente no ser humano, evoluem ao longo da trama...
- Quando há exagero na caracterização do tipo, cria-se a caricatura.

Os espaços.
- O narrador cria os espaços onde se movem os personagens.
- Esses espaços são figurativizados.
- Não precisam Ter veracidade geográfica.

Tempo.
- Os tempos são indicações de que os acontecimentos são anteriores, posteriores ou concomitantes ao momento da fala ou a um marco temporal pretérito ou futuro instalado o texto.
1. em relação ao momento da fala.
2. Em relação a um marco temporal instaurado no texto.

Ordenação em relação ao momento da fala.
1. Quando o acontecimento for concomitante ao momento da fala, temos o presente.
a. Aquilo que se dá no momento da fala.
b. Aquilo que tem uma duração muito grande no tempo.
c. O que é considerado eterno.
2. Quando o acontecimento é anterior ao momento da fala, teremos o pretérito perfeito.
3. Quando o fato é posterior ao momento da fala, temos o futuro do presente.
1) Quando o marco temporal estiver no passado, os fatos podem ser concomitantes, anteriores ou posteriores a ele.
A) se os fatos forem concomitantes ao marco temporal passado, podemos usar dois tempos verbais:
a. Pretérito perfeito, quando estabelecemos limites na duração do fato.
b. O pretérito imperfeito, quando consideramos o acontecimento em sua duração.
B) Quando o fato é anterior ao marco temporal pretérito, temos o pretérito mais-que-perfeito.
C) Quando o fato é posterior ao marco temporal pretérito, temos o futuro do pretérito.
2) Quando o marco temporal inscrito no texto futuro, os acontecimentos podem também ser concomitantes, anteriores ou posteriores a ele.
A) O presente do futuro, constituído do verbo estar no futuro do presente mais o gerúndio do verbo está sendo conjugado.
B) Quando o acontecimento for anterior a um marco temporal futuro, temos o futuro anterior. O futuro do presente composto (terei ido).
C) Quando o fato for posterior a um marco temporal futuro, temos o futuro do futuro. Em geral usamos a palavra “depois” junto ao marco temporal e o futuro do presente.

Advérbios e expressões adverbiais de tempo.
1. Advérbios e expressões de valor adverbial que situam os acontecimentos em relação ao momento da fala.
2. Advérbios e expressões de valor adverbial que situam os acontecimentos em relação a um marco temporal pretérito ou futuro inscrito no texto.

PLATÃO e FIORIN. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo. Ática. 1996.

Joyce Cristina Leme Gomes - RGM: 163.388 - Letras - 2ºON - Data: 10/09/02 - Prof. Dr. José Miguel Mattos - UBC

Síntese: Gêneros Textuais: definição e funcionalidade.

Gêneros textuais: definição e funcionalidade.

1. Gêneros textuais como práticas sócio – históricas.
- Os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia.
- São entidades sócio – discursivas e formas de ação social incontornáveis em qualquer situação comunicativa.
- Não são instrumentos estanques e enrijecedores de ação criativa.
- Caracterizam-se como eventos textuais altamente maleáveis, dinâmicos e plásticos.
- Observação histórica do surgimento dos gêneros revela que, numa primeira fase, povos de cultura oral desenvolveram um conjunto limitado de gêneros. Após a invenção da escrita alfabética, multiplicam-se o gênero (típicos da escrita). Numa terceira fase, os gêneros expandem-se com o florescimento da cultura impressa para, na fase intermediária de industrialização, dar início a uma grande ampliação. Hoje, na fase denominada cultura eletrônica, encontramos novos gêneros e novas formas de comunicação, tanto oral como na escrita.

2. Novos gêneros e velhas bases
- As tecnologias ligadas à área de comunicação propiciaram o surgimento de novos gêneros textuais.
- A intensidade do uso dessa tecnologia e sua interferência nas atividades comunicativas diária influenciaram o aparecimento de novos gêneros textuais.
- Transmutação de um gênero e na assimilação de um gênero por outro gerando novos.
- “Mesmos texto” e “mesmo gênero” são diferentes.

3. Definição de gênero e tipo textual.
- Tipo textual – é usado para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza lingüística de sua composição (narração, argumentação, exposição, descrição, injunção).
- Gênero textual – é usado como uma noção vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio – comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica (telefonema, sermão, carta etc.).
- Domínio discursivo – designa uma esfera ou instância de produção discursiva ou de atividade humana.
- Texto é uma entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum gênero textual. Discurso é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instância discursiva.
- Tipo textual – seqüências lingüisticas típicas.
- Gênero textual – ação prática, circulação sócio – histórica, funcionalidade, conteúdo temático, estilo e composicionalidade.

4. Algumas observações sobre os tipos textuais.
- Em todos estes gêneros se realiza, também, tipos textuais podendo ocorrer que o mesmo gênero realize dois ou mais tipos.
- Um tipo textual é dado por um conjunto de traços que formam uma seqüência e não um texto.
- Textos narrativos – seqüência temporal.
- Textos descritivos – seqüência de localização.
- Textos expositivos – seqüência analítica ou explicativas.
- Textos argumentativos - seqüências contrastivas ou explícitas.
- Textos injuntivos – seqüências imperativas.

5. Observações sobre os gêneros textuais.
- intertextualidade inter – um gênero com função de outro.
- Heterogeneidade tipológica – um gênero com a presença de vários tipos.

6. Gêneros textuais e ensino.
- Os interlocutores seguem em geral três critérios para designarem seus textos:
a. canal/ meio de comunicação.
b. Critérios formais.
c. Natureza do conteúdo.
- Os gêneros são geralmente determinados com base nos objetivos dos falantes e na natureza do tópico falado.
- Deveria haver na produção de cada gênero textual os seguintes aspectos:
a. Natureza da informação ou conteúdo veiculado.
b. Nível de linguagem.
c. Tipo de situação em que o gênero se situa.
d. Relação entre os participantes..
e. Natureza dos objetivos das atividades desenvolvidas.
- No ensino pode-se tratar dos gêneros e levar os alunos a produzirem ou analisarem eventos lingüísticos os mais diversos, tantos escrito quanto orais, e identificarem as características de gênero em cada um.

7. Observações finais.
- Observar tanto a oralidade como a escrita em seus usos culturais.

MARCHUSCHI, L.A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. In DÍONISIO, A. P. et al. Gêneros Textuais e Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.
 
Joyce Cristina Leme Gomes - RGM: 163.388 - Letras - 2ºON - Data: 27-08-02 - Prf. Dr. José Miguel Mattos - UBC

Sintese: O texto e a construção dos sentidos

A natureza da fala.

Língua: escrita e fala.

Atividades de construção do texto falado: tipos e funções.

Estratégias de construção.

Funções de Inserção.
- Tem a macro função cognitiva de facilitar a compreensão dos outros;
- Despertar ou manter o interesse do parceiro;
- Entre outras funções interacionais.

Funções de reformulação.

Reformulação retórica.
- Repetições, paráfrases;
- Desaceleração da fala.

Reformulação saneadora.
- Pode ocorrer sob forma de correções ou reparos e de repetições ou paráfrases saneadoras.

A hesitação
- Próprio processo de construção falado (planejamento e construção simultâneos).

Tematização e rematização: estratégias de construção de texto falado.
- Segmentação ou deslocamento de constituintes (tema – rema e rema – tema).

1. Seqüências tema – rema.
- Construção com tematização marcada (Quanto a ... etc).
- Construção com tema marcado em que ocorre a anteposição de um elemento do enunciado com função sintática bem definida.
- Construção com tema marcado e com elipses.
- Construção com temas livres antecedendo uma seqüência oracional.
- Deslocamento à direita.
- Justapõem-se em dois blocos que não se ligam sintaticamente.

2. Seqüência rema – tema.
- Orações relativas que desdobram em duas partes (clivadas).
- Construções com rema anteposto marcado apenas prosodicamente.
- Seqüência formada de dois blocos (rema - tema) sem verbo, sem vínculo sintático.
- Seqüência que se antepõe um elemento remático que é repetido na seqüência.

KOCH, Ingedore. G. Villaça. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.
 
Joyce Cristina Leme Gomes - RGM: 163.388 - Letras - 2ºON - Data: 20/8/02 - Prof. Dr. José Miguel Mattos - UBC

Síntese: O texto e a construção dos sentidos

O que é um texto.

O objeto principal da Lingüística Textual varia de acordo com o autor/obra (diferentes formas).
a. Unidade lingüística;
b. Combinação de frases;
c. Pronominalizações ininterruptas;
d. Isotopia;
e. Proposições semânticas.

Orientações pragmáticas:
a. Teoria acionais;
b. Vertentes cognitivistas;
c. Teoria da atividade verbal.
 
Parcialidade da comunicação e interação social:
a. Atividade verbal;
b. Atividade intencional; e
c. Atividade interacional.

Organização da informação textual:
- Informação semântica distribui-se em dois blocos: dado e novo.
- Informação dada estabelece ancoragem à informação nova.
- Com ancoragem na informação dada, realiza-se a progressão textual e insere-se a informação nova, estabelece, assim, relações de sentido:
a. Segmentos textuais de extensões variados;
b. Segmentos textuais e conhecimentos prévios;
c. Segmentos textuais e conhecimentos e/ou práticas socioculturalmente partilhados.

Relações entre segmentos textuais:
1. Interior do enunciado (tema - informação dada e rema - informação nova).
2. Orações de um período e períodos no interior de um parágrafo.
3. Parágrafo – seqüências ou partes inteiras do texto.

Qual é, afinal, a propriedade definidora de um texto?
- O sentido não está no texto e sim se constrói a partir dele.
- Pela situação conjunta de uma complexa rede de fatores da ordem situacional e cognitiva, sociocultural e interacional para construir um sentido.
- Construir um sentido adequado ao contexto e que seja coerente aos interactantes.

Atividades e estratégias de processamento textual.
- Texto é conjunto de pistas representadas por elementos lingüísticos de diversas ordens.
- O processamento textual deve ser visto como uma atividade de caráter lingüístico e sociocognitivo.

Sistema de conhecimento acessados por ocasião do processamento textual.
- Conhecimento lingüístico – conhecimento gramatical e lexical.
- Conhecimento enciclopédico – se encontra armazenado na memória de cada pessoa (conhecimento do tipo declarativo – proposições a respeito dos fatos do mundo; tipo episódico – cognitivo, socioculturalmente determinados e adquiridos através de experiências).
- Conhecimento sócio – interacional – conhecimento sobre as ações verbais.
Dentro deste último, engloba outros tipos de conhecimento:
- Conhecimento ilocucional – permite reconhecer os objetivos de um falante, num certo momento de interação.
- Conhecimento comunicacional – diz respeito as normas comunicativas gerais (modelos cognitivos contextuais).
- Conhecimento metacomunicativo – permite ao produtor do texto evitar perturbações previsíveis na comunicação ou sanar conflitos inserindo, assim, apoios textuais.

Estratégias de processamento textual.

Estratégias cognitivas.
- Os usuários das Línguas realizam simultaneamente em vários níveis passo interpretativo, efetivos, eficientes, flexíveis, tentativos e rápidos; fazendo cortes no material que chega, podendo utilizar a informação incompleta para chegar à uma hipótese.

Estratégias sócio – interacionais.
- Estratégias socioculturalmente determinadas que visam estabelecer, manter e levar a bom termo uma interação verbal.
- Estratégias de preservações de faces apresenta-se nos atos, preparatórios, eufemismo, rodeios, mudanças de tópicos e dos marcadores de atenuação em geral.

Estratégias textuais ou textualizadoras.
1. Estratégias de organização de informação - dizem respeito a distribuição do material lingüístico na superfície textual.
- dado/novo.
- Estratégias de articulação tema – rema.
2. Estratégias de formulação – têm funções de ordem cognitiva - interacional.
- Estratégia de Inserção.
- Estratégia de reformulação.
3. Estratégias de referenciação – a reativação de referentes no texto é realizada através de estratégias de referenciação anafórica, formando-se cadeias coesivas.
4. Estratégias de “balanceamento” do explícito/implícito - relações entre informação textualmente expressa e conhecimentos prévios, pressupostos, partilhados podem ser estabelecidas por meio de estratégias de “sinalização” textual, por meio das quais o locutor deve recorrer ao contexto sociocognitivo.


REFERÊNCIA:
 
KOCH, Ingedore. G. Villaça. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.