Mostrando postagens com marcador resenha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resenha. Mostrar todas as postagens

19 de janeiro de 2010

Resenha: Gramática e Interação: uma proposta para o ensino da Gramática no 1o e 2o Graus

A obra é dividida em duas partes, onde o tema é distribuído em 13 (treze) capítulos. Na primeira parte são abordadas questões fundamentais para o ensino da gramática na segunda parte passa por uma visão de como tem sido o ensino de gramática nas escolas de 1ºs e 2ºs Graus, apresenta uma proposta para o ensino de gramática calçada nos vários tipos de gramáticas exemplificando em especial, o trabalho da gramática reflexiva.


Inicialmente o autor apresenta 04 (quatro) respostas que fundamentam o questionamento: “para que das aulas de português a falantes nativos de português?”

Dentre as referidas respostas especial importância da aquela que se justifica prioritariamente pelo objetivo de desenvolver a Competência Comunicativa. Evidência que para a execução desse objetivo deve-se propiciar o contacto e o trabalho do aluno com textos utilizados em situações de interação comunicativa o mais variado possível.

No tópico “concepções de linguagem” destacam as figuras do professor e sua concepção sobre língua e linguagem, deixando claro sua tendência para a concepção que é a linguagem como forma ou processo de interação, na qual o indivíduo, ao usar a linguagem realiza ações sobre o interlocutor e não apenas traduz pensamentos ou transmite informações. Para dar maior tônica a esta concepção cita Neder (1992:42/43).

“A verdadeira substância de linguagem não é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas, nem pele enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada pela enunciação ou pelas enunciações. A interação verbal constitui assim, a realidade fundamental da linguagem.”

Deixa consignado que o diálogo em sentido amplo, caracteriza a linguagem e que essa concepção é representada por todas as correntes que podem ser reunidas sob o rótulo de lingüística e comunicação.

A concepção de gramática liga-se também aos conceitos, o que é considerado erro ou não e também os tipos.

A primeira concepção vê a gramática como regra de bom uso e afirma que a língua é só a variedade padrão e tudo que desvia deste padrão é “erro”. A esta concepção corresponde a gramática normativa. Assim nesta mesma linha, segue a gramática descritiva e a internalizada acrescentando outros vários tipos, uns ligados a explicitação da estrutura e do mecanismo de funcionamento da língua, outros ao objeto de estudo, aos objetivos etc.

Travaglia (1995) destaca a gramática explicita, ou teórica, reflexiva e implícita, representam uma distinção muito produtiva na questão do ensino de gramática e relacionam –se diretamente a distinções entre atividades lingüísticas, epilinguísticas e metalingüísticas.

Halliday, Uclntosh e Strevens (1974: 257-287) destacam três tipos de ensino a serem realizados ao ensinar uma língua: prescritivo, descritivo e produtivo que correspondem respectivamente em substituir o errado pelo certo, mostrar o funcionamento da linguagem e da língua em particular e ensinar novas habilidades linguísticas.

Para Travaglia (1995), o tipo que mais adequado ao objetivo de ensino da língua materna é o ensino produtivo. Chama a atenção quando aos três tipos dizendo que não são excludentes e podem ser trabalhados simultaneamente. Todavia, ressalva que o ensino descritivo e prescritivo, embora muito praticado nas aulas causa prejuízo na formação dos alunos, restringido sua competência comunicativa.

É sabido que existem inúmeras variedades lingüísticas e que tradicionalmente a sociedade insiste em considerá-los com “erro”. Acreditando-se que em diferentes situações deve-se usar a língua de modos variados, não há porque insistir em ensinar apenas a variedade padrão, o que seria incompatível com o objetivo do ensino de língua. Essas variedades são dúvidas em dialetos e registros que ocorrem em função das pessoas e do uso que se faz da língua.

Importante não se esquecer que texto e discurso não são a mesma coisa. Texto é entendido como uma unidade lingüística concreta tida como produto concreto da atividade comunicativa condicionando as regras e princípios discursivos sócio – historicamente estabelecidos; O discurso, visto como qualquer atividade produtora de efeitos de sentido entre intervalo – autores , cuja teoria é definida como a teoria da determinação histórica dos processos semânticos, onde a presença do social e do histórico nessa determinação é a manifestação da exterioridade no texto que é constitutiva da linguagem.

Neste tópico é discutido amplamente cada elemento da definição e enriquecida com exemplos, deixando claro para o leitor a distinção entre os dois institutos.

A segunda parte inicia abordando as questões para que se ensina de que naturalmente vai derivar o como se inicia. Nessa abordagem aproveita-se de elementos de um levantamento feito por Neves juntamente com os elementos extraídos de experiências do autor com o ensino de gramática.

Nos estudos de Neves podemos ver com clareza as questões citadas no parágrafo anterior.

Em resposta a pergunta “para que ensinar a gramática?” fica registrado que a maioria dos professores refere-se ao desempenho ativo (melhor expressão, comunicação e compreensão) os demais que representam uma minoria se decidem em questões normativas, finalidades teóricas e cumprimento do programa pré-estabelecido.

“Para que se usa a gramática ensinada?” A maioria refere-se ao melhor desempenho lingüístico (falar e escrever melhor) ligado mais ao sucesso da vida prática e na sala de aula que ao próprio objetivo do ensino da gramática. Daí concluírem que é desnecessário o ensino da gramática.

Quanto ao que é ensinado, Neves registra também o que deve ensinar. Apresenta uma lista, onde aponta as áreas de programa de língua portuguesa mais trabalhados que são classificação de classes de palavras e funções sintáticas.

Sobre o que deve ensinar, Soares (1979 Cap 9) afirma que não há consenso sobre o ensino de gramática e isso leva a uma diversidade de posições conseqüentemente emanadas das secretarias de educação e delegacias de ensino, diferentes da formação de professores e de influencia de livros didáticos.

Neves ao registrar Como é ensinada gramática aponta uma camuflagem de ensino textualizado, onde os professores declaram partir de textos para a exercitação gramatical, porém, verifica que o texto funciona apenas como um compartimento de onde se retiram frases e palavras ganharão, fora dele, autonomia própria.

Soares apresenta três orientações metodológicas mais freqüentes para o ensino da gramática, mostrando na abordagem de cada resultado negativo que não habilitam os alunos usar a língua para resolver problemas de comunicação quando têm que atuar.

Neves, num balanço geral da questão registra, em síntese a atitude dos professores, o reconhecimento dos problemas básicos.Quanto à resistência obstinada à mudança, cita Possenti e Ilari que dizem que essa resistência se deve talvez, à imagem que a sociedade tem do ensino de língua materna e como deve ser o professor o qual busca muito mais legitimar o seu papel do que fazer algo que represente um ensino significativo para a vida de seus alunos.

“Uma proposta para o ensino de gramática”

O autor apresenta uma proposta baseada nas abordagens dos capítulos anteriores, contudo, desvia do objetivo de ensino da língua materna.

Propõe que o ensino da gramática seja voltado para uma gramática de uso e para uma gramática reflexiva, tendo a gramática teórica e a normativa apenas como auxiliares, lembrando-se sempre a questão da interação e do texto como um todo.

Sugere um ensino produtivo e um redimensionamento do ensino descritivo e prescritivo.Quanto a gramática deve ser trabalhada numa perspectiva textual, passando a integrar a tudo que é utilizado na construção e uso dos textos.Ainda sobre a gramática explica que tendo em vista o objetivo proposto como prioritário para as aulas de língua materna pode se trabalhar com as quatro formas ao mesmo tempo no mesmo conteúdo e para uma mesma turma, dosando cada uma de forma a atingir com eficiência o objetivo perseguido. Esclarece, no final, que a gramática da língua é uma só, o que se separa e nomeia são tipos de atividades de ensino da gramática.

Nos capítulos seguintes o autor enfoca cada tipo de gramática (de uso, reflexiva, teórica ou normativa), apresentando várias atividades amplamente exemplificadas.

A gramática de uso é aquela aprendida do meio, ou seja, fora da escola, mediante o processo interativo. No ensino se estrutura em atividades dos seus mecanismos e também os princípios de uso dos recursos das diferentes variedades da língua.Nesta modalidade os elementos descritivos não são explicados. Sua preocupação é ensinar a língua e não sobre a língua.

Interessante destacar que as atividades que melhor atende a seus objetivos são os exercícios estruturais que podem ser trabalhados juntamente com outros tipos de atividades gramaticais, ou seja, com outras gramáticas.

A gramática reflexiva segundo Soares. É um trabalho de reflexão sobre o que o aluno já domina. Travaglia (1995) concorda, mas acrescenta que há também um trabalho sobre recursos lingüísticos que ele ainda não domina, ampliando sua capacidade de uso e realizando um ensino produtivo e não apenas descritivos.

Ressalta ainda a possibilidade de se fazer dois tipos de trabalho dessa gramática:

Um representado por atividades explicativas; outro - constituído por atividades reflexivas voltadas à semântica e à pragmática.

Quanto a gramática teórica sugere um redimensionamento, desviando-a de um fim em si mesma; utilizando-a como um recurso a mais no desenvolvimento da competência comunicativa. Apela para o bom senso do professor que, desta forma, terá facilitado o seu trabalho, vez que reduzirá e selecionará informações, restringindo apenas ao objetivo primordial que é o desenvolvimento da competência comunicativa.

Para finalizar, enfocar a gramática normativa abordando aspectos fundamentais na questão do ensino da gramática.Chama atenção para a distinção entre regras de gramática normativa que aparecem nos manuais e parte de gramática descritiva destes mesmos manuais adverte também sobre o cuidado que se deve ter ao ensinar as normas, e mostra exemplificando como isso é feito.

No que foi exposto Travaglia (1995) diz que a gramática é indispensável para a produção e compreensão de qualquer texto. Deixa claro que trabalhando a gramática na perspectiva da interação comunicativa e do funcionamento textual-discursivo o professor chegará certamente ao objetivo primeiro do ensino da língua.

TRAVAGLIA, L.C. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino da Gramática no 1o e 2o Graus. São Paulo: Cortez, 3a ed. 1995.

Geralda Luiza da Silva da Cunha 168.558
Cibele Aparecida Brandão 163.369
Joyce Cristina Leme Gomes 163.388
Daniela Feitosa de Sousa 170.385

Língua Portuguesa A - Sintaxe - Letras - Prof. Dr. José Miguel Mattos - UBC

Resenha: A gramática: história, teoria e análise, ensino.


Neves (2002) inicia o capítulo referente as questões ligadas ao ensino da gramática, sugerindo um questionamento sobre o que se pretende e o que se deve pretender com esse ensino e qual o papel da gramática dentro dos objetivos gerais do ensino de português no ensino fundamental e médio. Em seguida explica que a produção de texto e a gramática não são atividades distintas e mostra a necessidade de não se restringir ao estudo isolado dos itens, tendo-se em vista que as peças que compõem o texto cumprem funções específicas.


Maior relevo debita, para esse nível de ensino ao tratamento funcional da gramática, que trata a língua na situação de produção, no contexto comunicativo.

Quanto a gramática do português escrito ou do português falado, o que se deve ter como alvo é a competência que envolve o uso real dos enunciados nas diversas situações. A fala e a escrita não são dois pólos opostos. Mesmo dotadas de algumas características próprias, há um mesmo mecanismo gramatical que sustenta o processo e que garante o uso, sendo certo que é pelas propriedades comuns diferentemente aproveitadas que se resolve o uso dos diversos elementos que organizam os enunciados.

Da importância da vertente tradicional dos estudos gramaticais e a contribuição das teorias mais recentes ressalta a autora que o empasse se resume em duas atitudes principais – uma positiva, considerando que os antigos tiveram “boas intenções”; uma negativa, responsabilizando o tratamento tradicional da gramática por todos os males do ensino em geral.

Em meio às discussões a normatividade continua intocável. Todavia um lembrete: “se a gramática não tem que ver com a norma, por outro lado o desempenho eficiente, em certos requisitos, depende da conformação do texto a determinados padrões vigentes e aceitos na sociedade.

Questões bastante polêmica gira em torno das relações entre pesquisa acadêmica e ensino fundamental e médio, da qual se extraí a penas questionamentos e a conclusão de que o que não terá havido – e não está havendo, no geral – é diálogo.

O registro a ser trabalhado na escola: a defesa da norma padrão e o respeito ao registro (popular) do aluno gira em torno da interação. Nesse sentido o que se espera da escola é que ela se esforce para prover à criança toda a apropriação de vivências e de conhecimentos que lhe assegure um domínio lingüístico capaz de garantir a produção dos textos adequados às situações, de modo que ela possa ocupar posições na sociedade. É sabido que grande parte dos alunos do ensino fundamental e médio entra para a escola com uma apropriação de padrões lingüísticos bem distantes dos que a sociedade aceita e respeita. Contudo ao aluno não deve ser dito que a forma que ele expressa é errada, é apenas diferente, e, dependendo da situação é inadequada, existindo, portanto, as variantes que podem ser usadas para adequar-se às situações diversas, levando-se em conta, a heterogeneidade da nossa língua.

Fundamental importância debita à atualização do professor, que deve estar em permanente interação com fontes de irradiação de conhecimento e a sua integração na ação pedagógica, resumindo em uma ação continuada.

O livro didático, criticado por muitos professores, divide com os mesmos, a responsabilidade, exigindo um plano de ação.

A busca de vilões para transferirem as culpas dos problemas, leva a elegerem, dentro da sala de aula – o livro didático, e fora dela – a televisão. Esquecendo-se que a leitura é outra história. Mesmo antes da era eletrônica o brasileiro não lê, motivo pelo qual a televisão tem mais espaço na vida do povo brasileiro que os povos do resto do mundo.

O mesmo fenômeno que ocorre com uso da televisão, repete-se com o computador, que pode ser encarado pelos dois lados da questão, negativo e positivo. Todavia deve-se enfatizar que a desvalorização da ação da escola e o abandono do hábito do estudo precisa ser analisado no complexo de que faz parte.

A mudança ocorrida no perfil do professor estabelece uma diferença entre o professor de hoje e o professor do passado, colocando-os em pólos opostos. Onde no passado era alegria, hoje é vergonha, onde se via uma imagem de carinho, confiança e respeito, hoje nada mais resta senão o sentimento de pena.

O ensino da gramática

Neste tema a autora direciona especial atenção à natureza da gramática tratada nas escolas, donde mostra o limite imposto pelo livro didático; o que significa, para muitos professores, “escrever melhor”; traça um paralelo entre a gramática oferecida e a aprendizagem cobrada e aborda a posição do texto que é destrinchado e separado em palavras e frases que ganham fora dele vida autônoma, cada uma com sua gramática, levando os professores a concluir que o ensino de gramática que empreendem “não servem para nada”.

Analisando a palavra como unidade menor e o texto como unidade maior a investigação da língua em função, conclui-se que apesar de ser com as “palavras” que o usuário da língua exercita com maior facilidade a metalingüística, não justifica centrar o ensino da gramática na unidade palavra sem relaciona-la ao texto.

Num trabalho de amostragem da gramática de classe é mostrado, com exemplos, a necessidade de uma gramática que trate as partes do discurso como elementos que atuam na codificação que se realiza no texto.

Reflexões sobre o estudo da gramática nas escolas de primeiro e segundo grau.

Em pesquisas realizadas com professores do ensino médio foi constatado a substituição do ensino da gramática normativa pelo ensino da gramática descritiva, conservando-se porém, a idéia de que a finalidade da gramática é levar o aluno a falar e escrever melhor. Fica evidente que se pensa em uma gramática de atuação que se resume em adequação aos propósitos comunicativos e aos padrões sócios culturais determinados. Cabe ressaltar que somente através do desenvolvimento de atividades de reflexão sobre a língua e seu funcionamento se pode chegar aos propósitos comunicativos, ou seja, só pela reflexão sobre a língua se chega ao sistema que a regula.

NEVES, M.H.M. A gramática: história, teoria e análise, ensino. São Paulo: Editora Unesp, 2002.
 
 
Geralda Luiza da Silva da Cunha 168.558
Cibele Aparecida Brandão 163.369
Joyce Cristina Leme Gomes 163.388
Daniela Feitosa de Sousa 170.385

Língua Portuguesa A - Sintaxe - Letras - Prof. Dr. José Miguel Mattos - UBC

Resenha: Por que (não) ensinar Gramática na Escola

A obra é dividida em duas partes: na primeira Possenti (1996) apresenta várias teses fundamentadas e justificadas. Na segunda, discorre sobre o conceito de gramática, apresentando a classificação e o conceito de cada subdivisão e abordando sobre regras, erros e atitudes comuns dos usuários de uma língua.


Preliminarmente, o autor defende o princípio de que “o objetivo da escola é ensinar o português padrão”. Mostra duas teses que negam esse princípio: uma de ordem político-cultural, que alega ser uma violência impor a um grupo social os valores de um outro grupo, além de destruir ou diminuir valores populares: outra de natureza cognitiva que pré-supõe de um único dialeto para cada grupo e para cada falante. Tais teses são contestada sob o fundamento de que além de ser relativamente fácil aprender outro dialeto, os menos favorecidos socialmente só têm a ganhar com o domínio de outra forma de falar e de escrever.

O fracasso na consecução desse objetivo podem ser de ordem metodológica ou decorrente de valores sociais complexos, que em parte podem ser resolvido na própria escala, bastando para isso ter uma concepção clara do que seja uma língua e do que seja um ser humano do ponto de vista do ensino/ aprendizagem, tendo em mente que o homem é diferente do animal, embora haja uma certa intersecção, há certos Comportamentos que poderíamos chamar de criativos, visto que não dependem de repetições, mas de hipóteses constantemente propostas e testados pelo próprio aprendiz. Como exemplo temos crianças e o que aprendem sobre a língua sem sequer ter tempo de ser treinada.

É comum a justificativa de que uma língua é muito difícil por conter muitas regras e exceções. É um equivoco, já foi provado, mediante análises de várias línguas indígenas que não existem línguas simplificadas, ou seja, primitivas. Hoje sabemos que todas as línguas são estruturadas de igual complexidade. Não são nem simples nem complexas são apenas diferentes. O mesmo argumento é válido para a comparação entre os dialetos de uma mesma língua (populares e padrão), cuja distinção se faz pelos aspectos e não pela complexidade das respectivas gramáticas.

Os grupos que falam uma língua ou um dialeto em geral julgam, a partir da sua fala, a fala dos outros e consideram a diferença como um erro especialmente quando se trata de falante da mesma língua. Não se dão conta de que todos que falam sabem falar.

Quase sempre ouvimos dizerem que alunos cidadãos não culto é que falam errado. Pode ser que falem errado, porém mais errado é pensar que falam tudo errado. O que acontece é a ocorrência de características que nos chamam atenção e que estamos acostumados a chamar de erros. (Na realidade falamos mais correto do que pensamos.)

Transportando as observações de LABOV para o problema da língua portuguesa pode-se dizer que há “erros” que chocam e “erros” que não chocam. Uma das formas é comum, já que falantes de todos os grupos sociais a utilizam. A outra distingue falantes por ser utilizada apenas por certos grupos.

Assim como não existem línguas fáceis ou difíceis, não existem também línguas uniformes e imutáveis. Todas as línguas variam e essa variedade é o reflexo da variedade social, cuja diferenças se deve a fatores internos e externos a língua que a condiciona. Da mesma forma todas as línguas mudam. O modelo padrão de hoje pode ser o arcaísmo de amanhã. Uma ou outra forma (arcaica ou padrão) não são erradas, todavia o ensino de português teria muito a ganhar se a escola propusesse como padrão ideal de língua a ser atingidos pelos alunos a forma de textos atuais, ao invés de textos de literatura antiga.

Aprender uma língua ainda é considerado um “mistério” do ser humano, levando-se em conta a velocidade que aprende a falar. O que se sabe é que todos falam muito bem a partir dos três anos de idade. E por mais efetiva e constante a convivência com os adultos e outras crianças, não há nada que se assemelhe a um ensino formal. O que se observa nessa aprendizagem informal é o uso efetivo e contextualizado da linguagem dando sentido a tudo que se diz. Importante notar que no processo de aquisição fora da escola há correção, mas, não existe reprovação, humilhação, castigo etc. A escola poderia conseguir essa eficácia imitando da forma mais próxima possível ou atividades lingüísticas da vida.

Interessante enfoque dá, autora ao que se denominou de “receita” para estipular programas de ensino para a língua materna nos diversos anos escolares (ressalvando a Alfabetização) Consubstanciada no seguinte princípio: “O que já é sabido não precisa ser ensinado”. Nesta mesma linha de pensamento sugere levantamento escolar que lhe daria condições de saber o que lhe cabe no ensino do padrão e o que os alunos aprendem fora da escola. Tudo isso nada mais seria do que uma mera imitação das atitudes dos adultos com as crianças, ou seja, ensinar apenas quando os alunos erram.

Tudo que foi exposto só terá sentido se ficar claro que conhecer uma língua é diferente de conhecer sua gramática, sendo necessário distinguir seu papel do papel da escola – que é ensinar língua padrão.

Por fim, apegando-se ao objetivo de dominar a variedade padrão de uma língua e tornar os alunos leitores e autores razoáveis, o ensino da gramática é completamente desnecessário, sendo certo que, seja qual for a modificação das escolas, as únicas pessoas que podem encarar esse trabalho são os professores e alunos.

A segunda parte estabelece a diferença entre ensinar língua e ensinar gramática. Ensinar língua é tentar consolidar o uso de uma variedade de prestígio ao passo que ensinar gramática justifica-se por razões culturais (Perini).

Neste tópico trava-se uma discussão sobre o polêmico conceito de gramática elegendo-se a expressão “Conjunto de regras” para a partir dessa distinguir os vários tipos de gramática.

Gramática normativa – Conjunto de regras a serem seguidas. Usadas nas gramáticas pedagógicas e nos livros didáticos, cuja finalidade é ensinar os leitores a “falar e escrever corretamente” incluindo nesta o emprego da variedade padrão.

Gramática descritiva – Conjunto de regras que são seguidas, cuja preocupação é descrever e/ou explicar as línguas como elas são faladas. Neste parágrafo fica claro a distinção entre regras a ser seguidas e as que são seguidas, tendo em vista que as regras a serem seguidas podem continuar propondo regras que os falantes não seguem mais em conseqüência do princípio da mutabilidade das línguas. Temos como exemplos: as segundas pessoas do plural, os futuros sintéticos e o mais que perfeito simples; Destaca-se também notáveis diferenças no sistema pronominal “vós”, a forma usada é “você” o(s) e a(s) por ele(s) e ela(s) e “nós” por “agente”.

A preocupação da gramática descritiva não é apontar erros, mas constatar que essas formas existem e são utilizadas por pessoas de grupos diferentes e em situações diferentes. Consta-se ainda uma resistência por não ser formas usadas pelas pessoas cultas, o que leva a perceber que o critério de correção é social e não lingüístico.

Gramática internalizada – Conjunto de regras que o falante domina. Refere-se a hipóteses sobe aspectos da realidade mental dos mesmos falantes, isto é, dada a maneira constante (que se repete) as pessoas identificam frases como pertencendo à sua língua, produzem e interpretam seqüências sonoras com determinadas características, supondo que há um conhecimento mental específico, (lexical e sintático semântico) que garantem esta estabilidade.

Há dois tipos de fatos lingüísticos que fundamentam a existência de uma gramática mental que são: as formas regularizadoras de formas irregulares, nela as crianças aprenderam (por repetição) regras de conjunção verbal e aplicando-as produzem tais formas; e as hiper-correções, onde falantes do meio rural ou de pouca instrução produzem formas que desviam da padrão e quando aprendem a forma padrão aplicam as regras criando outras formas.

As regras são abordadas nos sentidos de obrigação regularidade e constância, correspondendo respectivamente às regras de gramática normativa e às regras da gramática descritiva.

Quanto à gramática internalizada, as regras expressam conhecimentos semânticos.

A cada definição de gramática corresponde uma concepção diferente e compatível de língua. O mesmo ocorre em matéria de erro que será diferente para cada definição.

Finalizando a obra, no tópico, esboço prático Possenti (1996) sugere uma metodologia para o ensino de gramática sem desviar do objetivo da escola. Enfatiza a gramática internalizada. Destaca a necessidade de uma constante exposição do aluno ao maior número possível de experiências lingüísticas na variedade padrão e sua adequação às situações, não excluindo a tarefa de reflexão sobre a linguagem, sem contudo, cair num círculo vicioso e levar para a sala de aula questões artificiais, ou seja, substituir os manuais de análise sintática por listas de expressões e modas de dizer das mais variadas formas. Aborda também a questão dos “erros escolares” onde transcreve sobre o domínio progressivo da variedade padrão e analogia reais. Em seguida expõe uma proposta de ensino gramática que consiste num trabalho envolvendo as três modalidades de gramáticas em ordem de prioridade inversa em relação à ordem de sua apresentação, privilegiando respectivamente cada uma, numa espécie de gramática Comparativa.

Mostra, expondo exemplos, que não existem propriamente textos errados e textos corretos, o que ocorre é uma questão de adequação ou inadequação.

Fecha a obra dizendo que o ensino deveria subordina-se à aprendizagem e não ao professor.

POSSENTI, S. Por que (não) ensinar Gramática na Escola. Campinas: Mercado de Letras/ALB, 1996.
 
 
Geralda Luiza da Silva da Cunha 168.558
Cibele Aparecida Brandão 163.369
Joyce Cristina Leme Gomes 163.388
Daniela Feitosa de Sousa 170.385


Língua Portuguesa A - Sintaxe - Letras - Prof. Dr. José Miguel Mattos - UBC

Resenha: Os diferentes tipos de gêneros textuais e seu ensino dentro da escola.

Segundo Koch (2002) e Brandão (2002) avaliam Bakhtin que defende a distinção dos gêneros textuais primários que são constituídos por aqueles gêneros da vida cotidiana como: o diálogo, a carta, situações de interação face à face. E os gêneros secundários que aparecem em circunstâncias de uma troca cultural. Já nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCNLP – 1998) apresenta três modalidades dos gêneros. O primeiro é o Literário - seria o gênero que aparece no cotidiano através de canções ou contos. O segundo, da Imprensa - com um recurso razoavelmente elaborado como: o debate, carta do leitor, etc. E por último, Divulgação Cientifica - seria uma elaboração mais sofisticada dos gêneros discursivos como: seminários, relatórios de experiências, etc.

Visualizando as características dos gêneros Koch (2002) e os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCNLP-1998) expõem:
- O conteúdo temático: o que é ou pode tornar-se divisível por meio do gênero;
- A construção composicional: estrutura particular dos textos pertencentes ao gênero;
- Estilo: configuração específica das unidades de linguagem derivadas da posição enunciativa do locutor de forma compatível.

A diferença entre os autores acima citados e Brandão (2000), é que este autor não específica as características do gênero, e sim, expõe o gênero através de sua forma tipológica.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998) enfatiza, de forma mais abrangente, a importância do gênero na oralidade dos indivíduos tanto quanto na escrita visando esclarecer que a enunciação prévia de textos orais significa ensinar procedimentos que possam ancorar a fala do locutor, orientando-o na situação de comunicação e especificidade do gênero. Esta estratégia de comunicação permite o confronto de opiniões a troco de informação, a negociação de sentidos e a avaliação dos processos pedagógicos que estão envolvidos. Enquanto Brandão (2000) e Koch (2002) dão maior ênfase às tipologias textuais, não especificando claramente a oralidade.

O aprendizado dos gêneros textuais na escola, segundo Brandão (2000), Koch (2002) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998), deve se dar através da interação professor/aluno com textos aplicados em sala de aula para que possa ser discutido e esclarecido aquilo em que o aluno encontra dúvidas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998) coloca cinco modelos didáticos para formar um leitor:
- Leitura anônima;
- Leitura colaborativa;
- Leitura programada;
- Leitura de escolha pessoal.

São modelos interessantes de se chamar a atenção do aluno à leitura, e esclarecer suas dúvidas. Através destas opções o aluno tem a liberdade de escolher também aquilo que quer ler e discutir.

Para Koch (2000) a introdução de um gênero na escola é o resultado de uma decisão didática que possui dois objetivos:
- Levar o aluno a dominar o gênero em suas diferentes formas: conhecer, aprender, compreender e produzir dentro e fora da escola;
- Colocar os alunos o mais próximo possível de situações de comunicação verdadeiras.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998) sugere à escola que assuma a responsabilidade de fazer a intermediação do leitor de textos facilitados para um leitor de textos originais e integrais, e que todos os professores e não somente o professor de Língua Portuguesa incentive a leitura. Brandão (2002) coloca três tipos de gêneros que devem ser trabalhados na escola: o dissertativo, o narrativo e o discursivo. Não que esses devam ser necessariamente trabalhados, mas contribuir para mostrar ao professor que o aluno, na sua prática escolar deve ser exposto à pluralidade dos discursos que circulam no seu cotidiano, os que fazem parte de sua cultura.

Dentre Brandão (2002), Koch (2000) e os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998), este último foi considerado o mais viável para melhor instruir o ensino dos gêneros textuais, pois, ele é mais claro quanto às suas orientações tanto à escola quanto ao professor, portanto, é o melhor a ser utilizado na prática de se formar um bom leitor e conhecedor dos tipos e gêneros textuais.

REFERÊNCIAS
 
BRANDÃO, H.N. (coord.). Gêneros do discurso na escola. São Paulo: Cortez, 2000.


KOCH, Ingedore. G. V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002.

SECRETÁRIA DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental – Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998.

Joyce Cristina Leme Gomes RGM: 163.388
Geisa Nery de Souza RGM: 163.381
Prof. Dr. José Miguel de Mattos - Letras 2ºON Data: 12-11-02 - UBC

1 de dezembro de 2009

A evolução do texto publicitário: A associação de palavras como elemento de sedução da publicidade.

Para saber sobre redação publicitária, é necessário se aprofundar e conhecer a sua evolução. Nada melhor do que a obra de João Anzanello Carrascoza intitulada “A evolução do texto publicitário: A associação de palavras como elemento de sedução na publicidade” para compreender a ideologia textual que encontramos nos anúncios de mídia impressa produzido pelas agências publicitárias. Para isso o autor dividiu a sua obra em 4 capítulos, onde estes posteriormente se dividem em subcapítulos: As coordenadas do caminho; Tramas do texto publicitário; O algo mais; Reatando os fios. Conta também com a apresentação de Luiz Celso Piratininga e as Referências Bibliográficas, totalizando, diante de um texto prazeroso e escrito na 3º pessoa do singular, 185 páginas.

Inicialmente, o autor aborda, de acordo com a obra “A arte retórica e arte poética”, de Aristóteles, que a propaganda utiliza-se do gênero deliberativo, pois com isso, possibilita o (des) aconselhamento para uma ação futura. Ou seja, a propaganda nada mais é do que um instrumento que sugere ao seu target sobre o que fazer em determinadas situações, persuadindo-o no instante da amostragem do produto e suas respectivas qualidades. Ainda de acordo com a teoria aristotélica, o discurso, bem como a propaganda, para ser coerente precisa conter o exórdio, a narração, provas e a peroração. O Exórdio é a introdução do assunto. A Narração é a parte do discurso onde menciona apenas fatos conhecidos. Provas são as demonstrações que, em muitas vezes, utiliza-se de fatos passados para aconselhar. E, a Peroração é o desfecho do discurso em que: consiste em predispor o ouvinte a nosso favor; ampliar ou atenuar o que foi dito; excitar paixões; e recapitular o assunto do discurso.

Segundo o autor, as palavras utilizadas numa peça publicitária são escolhidas “a dedo” com o intuito de aproximar o produto do receptor de maneira que seja compreensível para este e assim persuadi-lo. Com esse intuito de aproximação, a redação publicitária utiliza-se das funções da linguagem - apelativa, referencial, emotiva, fática, metalingüística e poética; de estereótipos – fórmulas já consagradas; substituições de nomes – troca de termos desgastados por similares como, por exemplo, “capitalismo” por “livre iniciativa”, criação de inimigos como, por exemplo, a sujeira é o inimigo do detergente; apelo à autoridade, ou seja, utilização de testemunhos de especialistas; e, a afirmação e a repetição do que já foi dito anteriormente no discurso.

Além desses itens, o autor faz um apanhado geral a respeito dos “signos lingüísticos” com o intuito de mostrar que as palavras / frases são sintagmáticas, pois não podem ser escritas/ faladas duas vezes seguidas ao mesmo tempo; associativas ou paradigmáticas, pois, como já temos conhecimento prévio de determinado assunto, podemos associar essa idéia a outra através de: radicais (ensinamento, ensinar), sufixos (ensinamento, armamento), imagem acústica (ensinamento, elemento), analogia dos significados (ensinamento, educação). O autor, depois da fundamentação de sua pesquisa, seleciona alguns textos literários e algumas peças publicitárias analisando-as sempre focando a evolução da redação publicitária, bem como explora resumidamente o contexto social referente à comunicação da época.

A presente obra é uma relíquia, pois retrata de maneira simples e concisa a evolução da redação publicitária, passando por renomados lingüistas e semioticistas como Saussure, Jakobson etc. até chegar às propagandas da década de 90, enfatizando a todo o momento “o algo mais” que elas trazem e o seu diferencial de outras tipologias textuais. Portanto, o livro de Carrascoza é indispensável para profissionais e estudantes de Letras, Publicidade e Propaganda, bem como a todos os demais que desejam se inteirar na arte e manha da comunicação.

SOBRE O AUTOR...

João Anzanello Carrascoza

É redator de propaganda e professor de Redação Publicitária na escola de Comunicação e Artes da USP, onde obteve seu mestrado em Ciências da Comunicação, tendo antes lecionado na Escola Superior de Propaganda e Marketing e Faculdade de Comunicação Casper Líbero. Publicou dezenas de artigos e ensaios nas revistas da ESPM, Propaganda, Imprensa, Mídia, Comunicarte e nos jornais de Propagandas e Marketing e o Estado de S. Paulo, entre outros. Vem atuando em agências de propaganda como redator há mais de 15 anos, nas quais desenvolveu campanhas para anunciantes de porte como Coca-Cola, Q-Refresco, Citibank, Banco Real, Gafisa, Yamaha, Nossa Caixa – Nosso Banco, Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, Ministério do Trabalho. Como escritor, é autor de várias obras para o público infanto-juvenil e adulto e recebeu alguns dos mais importantes prêmios da literatura no Brasil, além do internacional Guimarães Rosa- Radio France com o conto “O Vaso Azul”.

REFERÊNCIA:

CARRASCOZA, João A. A evolução do texto publicitário: A associação de palavras como elemento de sedução na publicidade. SP: Futura, 1999.


14 de julho de 2009

Resenha: A Linguagem da Propaganda.

Os autores Torben Vestergaard e Kim Schoroder escreveram não uma obra, mas uma grande aula de propaganda através do livro “A Linguagem da Propaganda”. Os autores abordam nesse livro a teoria comunicacional, à questão das funções da linguagem e a análise de algumas peças publicitárias antigas de anunciantes ingleses para remeter e elucidar a idéia da persuasão. A obra estruturara-se em Índice, Índice de Ilustrações e Agradecimentos. Conta também com seis capítulos intitulados Propaganda e Sociedade; Linguagem e Comunicação; Estrutura de um Anúncio; Estratégias de Comunicação: Sexo e Classe; A Propaganda como Espelho Psicológico; A Ideologia da Propaganda. Dentro desses capítulos, há enunciados para explicitar e definir o assunto abordado e os autores utilizam-se da 1º pessoa do plural como foco narrativo. E finaliza com a Bibliografia, totalizando 197 páginas.

Os autores comentam em sua obra que a propaganda está sempre presente na vida cotidiana através dos veículos de comunicação, pois, as empresas visam, através desses meios, tornarem os seus produtos atrativos e assim vendê-los para os consumidores. Sendo assim, a persuasão se faz necessária para fazer a população comprar aquilo que lhe é desnecessário. Com isso, há dois tipos de propaganda: a institucional e a industrial ou de varejo.

Quanto à estrutura da propaganda, ela é definida como comunicação verbal e não-verbal, pública e particular, tendo um ou dois sentidos. Mas para haver a comunicação é necessário que haja um emissor (o anunciante) e um receptor (leitor), o código (linguagem verbal e não verbal), o canal (meios de comunicação) e o contexto (aspectos sociais do leitor). Mas para se tornar algo coerente e coesivo é necessário que haja na informação o tema – rema, dado – novo, ou seja, o assunto e seu respectivo complemento. Partindo desse princípio, o objetivo do publicitário é tornar o produto em sua propaganda atrativa com o intuito de persuadir, convencer e induzir o receptor a comprá-lo. E muitas vezes, o publicitário recorre ao artigo de redação, história em quadrinhos e o questionário para chamar a atenção do receptor.

A propaganda classifica-se em sexo (masculino/ feminino), classe social (pobre/ rico, casado/solteiro, estudante/ trabalhador). Ao mesmo tempo em que os autores classificam dessa maneira, eles atribuem produtos e problematizações pertinentes a cada item mencionado anteriormente. Para compreender o contexto de cada pessoa, a publicidade utiliza-se da psicologia para estudar o espírito humano e estimular através da fantasia que os leitores façam um paralelo entre o sonho e a realidade e consumam o produto apresentado. Com isso, muitas vezes, essas propagandas representam peças imaginárias do futuro.

Os autores enfatizam os elementos da comunicação e suas respectivas análises. Mas essa é uma questão abordada fundamentalmente àquele que se foca na linguagem. Esse enfoque também é dado ao Letrado, embora esse se depare com situações semelhantes, o enfoque de sua análise é apenas a linguagem textual, deixando um pouco de lado a questão da estética, da mensagem simbólica e iconográfica.

A partir do ponto de vista do Comunicólogo e do Letrado é possível compreender a abordagem que o publicitário faz ao produzir a campanha de seu anunciante e descobrir qual é a ideologia que ele visa atingir e, por conseguinte, objetivar no seu target para obter um resultado satisfatório. Podemos citar como exemplo qualquer anúncio de carro, pois a agência que realiza esse tipo de propaganda sempre enfatiza as funcionalidades que tornam esse objeto prático perante os olhos de uma pessoa com um cotidiano agitado e repleto de tarefas tanto familiares quanto profissionais para se realizar.

Vestergaard e Schoroder (1996) explicitam e dão uma idéia geral da ideologia psicológica de cada classe social e a maneira como atingi-la. Entretanto, é necessário complementar essa idéia sobre publicidade com o autor Vannoye (1998) e o seu livro “Usos da Linguagem: Problemas e técnicas na produção oral e escrita” com o objetivo de conhecer as funções e figuras de linguagem comumente utilizada na língua para “embelezar” a forma escrita de uma propaganda.

Diante das análises propostas no livro “A Linguagem da Propaganda”, percebe-se que aparentemente o departamento de criação tem um arsenal imenso de informação, mas a pesquisa realizada anteriormente para saber sobre o target /produto acaba podando a criatividade ao sugerir o tipo de abordagem a ser realizada. O layout de uma peça conta muito também, pois em todas as propagandas analisadas podemos notar que as redações são objetivas, explicativas e as figuras apóiam-se nisso. E, baseando-se nesse detalhe, percebe-se que a padronização das campanhas é um fato que pode ser notado em todas as propagandas analisadas no livro de Vestergaard e Schoroder (1996).

O livro “A Linguagem da Propaganda”, de Vestergaard e Schoroder (1996) é ideal para todos os futuros Comunicólogos, Publicitários, Jornalistas e até mesmo Letrados e seus respectivos professores. Sendo assim, recomendo, e sem hesitar, a todos esses grupos de estudiosos da área.



Joyce Cristina Leme Gomes
“Acadêmica graduando-se em Comunicação Social / Publicidade e Propaganda da Universidade de Mogi das Cruzes e professora Licenciada em Letras pela Universidade Braz Cubas”.



REFERÊNCIA:


VESTERGAARD, Torben e SCHRODER, Kim. SANTOS, João A. SOUZA, Gilson C. C. (trad.). A linguagem da Propaganda. SP: Martins Fontes, 1996.

17 de junho de 2009

Resenha "Propaganda de A a Z: Como usar a propaganda para construir marcas e empresas de sucesso."

O livro “Propaganda de A a Z: Como usar a propaganda para construir marcas e empresas de sucesso”, 376 páginas, 2º edição, 1999, editora Campus, foi escrito por Rafael Sampaio, conta com 10 capítulos: Propaganda: arte ou ciência ou técnica?; Como a propaganda funciona?; O anunciante; A agência de propaganda; Os produtos e fornecedores especializados; Os veículos de comunicação; A propaganda em cada setor da economia; Como fazer a melhor propaganda e obter o maior retorno; Os melhores casos da propaganda dos anos 80 e 90 e A força das marcas nos anos 90. O autor aborda os assuntos mais específicos da Publicidade e Propaganda de maneira mais objetiva através dos apêndices que vão da letra A até K. Tais apêndices intitulam-se: As ferramentas da comunicação; As peças de comunicação da propaganda; A compra da mídia; A digitalização da produção; A pesquisa da mídia; A honestidade é a melhor política; O briefing e o planejamento; A auto-regulamentação comercial; A internet e a pesquisa e Os sistemas de significação. A obra ainda conta com o Prefácio, Glossário, Bibliografia e Índice.

Conforme mencionado no 1º Capítulo, Sampaio (1999) ressalta que a propaganda vai ficando mais requintada conforme é utilizada. Afirma que está presente no cotidiano das empresas, pessoas e da economia, e é uma ferramenta que precisa saber como utilizá-la, pois é técnica que envolve arte e ciência.

Sampaio (1999) ressalta que, no 2º Capítulo, a propaganda é a manipulação planejada da comunicação visando através da persuasão, promover o comportamento em benefício do anunciante que a utiliza. Acrescenta que a atividade é dividida em: anunciantes, agências, produtoras e veículos. Ressalta também que são as principais tarefas da propaganda, através da criação, expansão, correção, educação, consolidação e a cultivação do mercado, são a divulgação e a promoção das empresas e marcas. Para o autor, o veículo de comunicação é o canal em que a propaganda se realiza, podendo ocorrer através de faixas, outdoors etc.
Observa-se na figura retirada da obra de Sampaio (1999) e intitulada “O processo da propaganda” quais são as etapas que são realizadas para que haja a campanha publicitária eficaz. Para isso, é preciso que a campanha seja criativa, emotiva e interessante, além de ser pertinente ao assunto, possibilitando a compreensão do target.


No 3º Capítulo, Sampaio (1999) recorda e apresenta o funcionamento do cliente/ anunciante. Segundo o autor, o anunciante pode ser divido em pequeno, médio e grande e possuir uma estrutura simples ou ser mais estruturada e também ser classificado de acordo com a eficácia no uso de sua propaganda. Entretanto, o autor complementa que, para que haja uma campanha eficiente, o anunciante/ cliente passa por um processo evolutivo onde este busca o aperfeiçoamento constante no uso da propaganda do seu produto através dos anos. Há, em determinadas empresas, uma estrutura publicitária padrão, mas isso depende da maneira como a empresa utiliza a publicidade, do dinheiro investido nisso e da sua forma de organização. E isso também se aplica aos profissionais que trabalham dentro dessas empresas. Mas, quando há o departamento responsável pela propaganda na empresa anunciante, a principal tarefa é a de gerir utilizando-se de recursos externos disponíveis.

Para Sampaio (1999), de acordo com o Capítulo 4, a agência pode variar de acordo com o seu tamanho, podendo ser pequena, média e grande. A agência, segundo Sampaio (1999), se estrutura em atendimento/planejamento, criação/produção, mídia, administração e apoio. Contudo, a alma da agência é o setor da criação e a qualidade da agência vai depender do padrão de sua criatividade. O autor explicita também que, utilizando-se uma empresa anunciante como exemplo, os três principais setores da agência são: atendimento/ planejamento, criação/produção e mídia.

O autor aborda, no Capítulo 5, a forma de organização e as tarefas dos criadores e produtores de diversos veículos de comunicação como, por exemplo, a televisão, o rádio, o cinema, a fotografia, a ilustração, o artesanato, o material gráfico e impresso. Sampaio (1999) apresenta também a importância dos institutos de pesquisas que suportam a publicidade em suas diversas etapas. Com isso, as fornecedoras e produtoras são de extrema importância para as campanhas publicitárias, pois faz a propaganda ser de alta qualidade e capaz de gerar retorno para os investimentos dos anunciantes.

No Capítulo 6, Sampaio (1999) aborda a importância que os veículos de comunicação têm para atingir um objetivo e a publicidade busca a melhor maneira de fazê-lo. E para isso, é preciso conhecer os meios de comunicação, utilizando-se o bom senso, discernimento, atitude aberta no processo de avaliação, a análise e definição da melhor alternativa.

O autor mostra, no Capítulo 7, a função cumprida nos diversos setores da economia e relaciona as tarefas mais comuns da propaganda nas áreas de bens de consumo; business to business; bens industriais; bens culturais e de informação; serviços; varejão, industriais e serviços; atacado; cadeias de consumo; comércio especializado; empresas de serviços públicos; governos e associações.

Sampaio (1999) salienta que, no Capítulo 8, para haver um retorno considerável da propaganda, o anunciante deve saber ousar, investir o necessário, arriscar e deixar que os profissionais especializados façam o seu serviço da melhor maneira. Completa que, a agência deve estar coerentemente ligada com a empresa/marca anunciada e com o objetivo que visa atingir. O anunciante, por sua vez, deve escolher a agência que melhor atenda as suas expectativas onde ambas tenham características em comum e recomenda que aquela mantenha a conta numa única agência o maior tempo possível.

No Capítulo 9, o autor faz uma compilação das melhores propagandas realizadas na televisão das décadas de 80 e 90. Alguns dos anunciantes e produtos mencionados na década de 80 foram: Caninha 51, Fiat, Denorex, Bom preço, Chambinho, Grandene, Penalty, Shell, Monza, Cepacol, Calvin Klein, English Lavender, Atari, Cheque Estrela Itaú, Camisas US TOP, Free, CEF, Sopas Knorr, Sundown, Tang, Telesp, Lee, Kaiser, O Estado de São Paulo, VARIG, SBT, Azaléia, Camisetas Hering, Mon Bijou, Valisère, Mappin, Bamerindus, Artex, Posto São Paulo, Carlton Dance, Com Sid, Kibon, Caldos Maggi, Dinners, Club, Lux Luxo, Philips, Volkswagen, Juréia, Marisa. Na década de 90 são mencionadas as campanhas dos seguintes produtos e anunciantes: Brahma, Natura, Brastemp, MacDonald’s I e II, Free, Perdigão, Audi, Adidas, Aruba, Estadão, Corsa, Rider, Havaianas, Guaraná Antártica, Kibon, Avon, O Boticário, Semp-Toshiba, Philco, Folha de São Paulo, Itaú Seguros, W/Brasil, Cerveja Antártica, Kaiser, Carlton, Hollywood, Cofap, Unibanco, Cia. Marítima, Lojas Renner, Parmalat, Bauduco, Folha de São Paulo II e III, Skol e Bombril.

A questão da marca do produto e da empresa se faz presente no Capítulo 10, pois, segundo Sampaio (1999), na década de 90, as marcas viraram o principal alvo das empresas e a propaganda está atuando na sua construção e manutenção. O autor salienta que o consumidor está cada vez mais consciente, crítico e exigente. E para complementar, o autor afirma que há um arsenal maior de produtos e serviços semelhantes. Entretanto, o poder das marcas, diante dessa situação, tende a aumentar ainda mais. Com a questão da marca crescendo, ela passou a valer muito mais do que o próprio produto, porém construir uma marca forte é um item difícil para as empresas. Sendo assim, a propaganda entra como uma ferramenta-chave para a construção e manutenção de marcas, dando-lhe mais personalidade e um grande valor. Para finalizar esse item, o autor faz um levantamento de como avaliar, defender e obter sucesso no gerenciamento de sua marca, auxiliando ao interessado de como proceder nesse quesito.

Após finalizar o seu 10º Capítulo, Sampaio (1999) criou os Apêndices (mencionados no início do texto) para que possa auxiliar o leitor a ler e a compreender mais especificamente os assuntos abordados dentro dos capítulos. Vale salientar que, ao final de cada capítulo, o autor faz um resumo do tópico abordado e remete ao seu respectivo apêndice. Os tópicos abordados pelo autor dentro dos apêndices são de extrema importância para o leitor inexperiente, bem como as demais seções do livro. Todavia, há dois itens que chama a atenção: a questão da auto-regulamentação comercial e o briefing e planejamento. No primeiro item, Sampaio (1999) apresenta minuciosamente as leis que regem a Publicidade e Propaganda no Brasil, tornando esse apêndice, um tanto quanto maçante àquele que não gosta de ler textos mais formais. Com relação ao briefing e planejamento, o autor aborda a maneira de como fazê-lo concisamente, antenando tanto o anunciante quanto a agência sobre os mínimos detalhes para que ambas as partes se compreendam e agilizem o processo inicial da propaganda.

Na 3º sessão do livro, Sampaio (1999), faz uma coletânea de todas as palavras relacionadas à Comunicação Social juntamente com a sua definição. Porém, pode-se perceber a quantidade de palavras utilizadas na Comunicação e que são emprestadas da língua inglesa como, por exemplo, budget que no português significa “empréstimo”.

Após essa minuciosa apresentação do livro “Propaganda de A a Z: Como Usar a Propaganda para Construir Marcas e Empresas de Sucesso”, percebe-se que o real intuito do autor é fazer com que o interessado (estudante de Publicidade e Propaganda ou não) conheça o funcionamento de uma agência publicitária e de tudo que esteja relacionada a ela. Portanto, recomendo essa obra àqueles que estejam interessados pelo assunto e também a todos os estudantes da área da Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade/Propaganda e Marketing), visto que esse objeto é um item indispensável podendo ser consultado sempre que necessário por quem quer que seja.

SAMPAIO, Rafael. Propaganda de A a Z: Como usar a propaganda para construir marcas e empresas de sucesso. RJ: Campus ABP. 1999.





Joyce C.L. Gomes - RGM 61096 - Up & Down - UMC - Mogi das Cruzes/SP

2 de junho de 2009

Síntese do texto "REPARTIÇÃO DA RENDA".

1. COMO SE MEDE A RENDA DAS PESSOAS E DAS FAMÍLIAS?

v As informações referentes a este assunto provém, em geral, de censos e levantamentos de amostras e domicílios que são realizados pelo IBGE a cada 10 anos e/ou anualmente através da PNAD (Pesquisa Nacional por amostra de domicílios).
v De um modo geral,sabe-se que os mais ricos declaram menos renda do que a verdadeira, ao passo que os mais pobres tendem a se atribuir mais renda do que de fato tem.

2. MEDIDAS DA CONCENTRAÇÃO DA RENDA.

v Uma das medidas mais comuns é dividir a população em grupos iguais, dos 10% mais pobres aos 10% mais ricos, e calcular a participação de cada um na renda total. Dentro dos 10% mais ricos se costuma ainda distinguir os 5% e o 1% de maior renda. Uma das maneiras de analisar a evolução da repartição é comparar, no tempo, a participação na renda total de alguns grupos estratégicos, digamos 40% mais pobres e os 10% mais ricos. Se a participação dos primeiros diminui e a dos segundos aumenta, como tem acontecido no Brasil, obviamente a concentração da renda está crescendo. A escolha é arbitraria, mas este procedimento dá uma idéia bastante adequada do que ocorre.
v É possível medir a concentração da renda através de um único número, como o índice proposto pelo estatístico italiano Conrado Gini. O índice varia entre 0 e 1. O índice 0 corresponde a situação de distribuição inteiramente igual da renda – cada 10% da população teria 10% da renda global e todos os indivíduos teriam a mesma renda. O índice 1 descreve uma situação oposta, de extrema desigualdade; um individuo teria toda a renda do país e todos os demais teriam renda zero.

3. DESENVOLVIMENTO E REPARTIÇÃO DA RENDA.

v Como o desenvolvimento econômico capitalista afeta a repartição da renda?
v Não existem séries de estatísticas longas e comparáveis que permitam obter respostas a esta pergunta mediante estudos históricos. O que se faz é um “corte longitudinal”, isto é, se compara um grande numero de países com renda per capita diferente, no mesmo momento. Essas pesquisas mostram que os países de renda per capta muito baixa e renda muito alta tem renda menos concentrada do que os países que estão em posição intermediária (como o Brasil).

4. POR QUE HÁ RICOS E POBRES? A POSIÇÃO NEOCLÁSSICA.

v O primeiro campo distinto a que os economistas se referem, corresponde à tradição marginalista ou neoclássica e parte da pressuposição de que todos os indivíduos são proprietários de fatores de produção. Estes são capital (somas de dinheiro, de máquinas, instalações), terra (mais genericamente recursos naturais) e trabalho.
v Há pobres e ricos porque os indivíduos são diferentes, alguns são mais trabalhadores e econômicos e acumulam fatores, e outros são mais preguiçosos e perdulários e gastam tudo o que ganham.
v Supõe-se que na economia haja uma igualdade de oportunidade para todos.
v Os neoclássicos criaram a teoria do “capital humano”. Segundo esta teoria, as grandes diferenças de salário só podem explicar-se por diferenças igualmente grandes de produtividade, as quais seriam o resultado dos desníveis de capital humano acumulado. Capital humano é a escolaridade.

5. PORQUE HÁ POBRES E RICOS? A POSIÇÃO MARXISTA.

v Para se entender como se constitui a repartição da renda é preciso analisar a estrutura de classes do país e as transformações pelas quais ela passa no processo de industrialização.
v O capitalismo é o modo de produção em que os meios de produção são propriedade particular de uma minoria da população, o que força a maioria a vender a esses proprietários sua capacidade de trabalhar.
v A sociedade capitalista tem duas classes sociais fundamentais: a burguesia e o proletariado.
v O capitalismo se encontra no estágio monopolístico (grandes empresas, estatais ou multinacionais). São representadas e fiscalizadas por acionistas. Estes acionistas são os administradores na burguesia moderna e também pode sem demitidos, visto que também são empregados e são conhecidos como “burguesia gerencial” (credencialismo). Em contrapartida, antigamente a classe dominante era a “burguesia empresarial”, e referia-se a empresa de pequeno porte.
v A burguesia empresarial se dá através da herança da fortuna familiar. Já a burguesia gerencial se dá através dos diplomas universitários.
v Outra classe social: a pequena burguesia (camponês). E esta é a responsável pela produção simples de mercadorias.
v Diferenças entre proletário e o camponês: o 1º recebe mais trabalhando em indústrias, o 2º recebe menos; o 1º pode perder o emprego e perder o salário, o 2º continua tendo a sua produção desde que se tenha a terra para o plantio etc.
v Podemos distinguir no proletariado duas frações: o exército industrial ativo ou proletariado propriamente dito e o exército industrial de reserva ou subproletariado.
v A teoria marxista sustenta que a distribuição das rendas individuais é condicionada pela repartição da renda entre as classes sociais e esta repartição favorece a classe dominante economicamente privilegiada.

6. A REPARTIÇÃO DA RENDA ENTRE AS CLASSES.

v No modo de produção capitalista, a repartição da renda entre burguesia e proletariado se dá mediante determinação recíproca de lucros e salários.
v Os salários dos empregados variam de acordo com a função realizada dentro da empresa.
v Criam-se os sindicatos trabalhistas para intervir junto ao proletário e negociar com a burguesia gerencial o aumento no salário.
v Cria-se a avaliação de cargos com o intuito de verificar o grau de responsabilidade do empregado junto à empresa.



7. SALÁRIO BÁSICO E CUSTO DE PRODUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO.

v A repartição do produto social entre capital e trabalho depende do salário básico. E este salário depende do mínimo “vital”. Porém essa questão não se restringe à alimentação, como tem relação com a cultura.
v No que se refere ao consumo de materiais, serviços etc. atinge, primeiramente, a burguesia. Depois quando as empresas estão “craques” na produção desses produtos/serviços, eles lançam para a classe proletariado como se fossem “novos produtos”.

8. O ESTADO E A REPARTIÇÃO DA RENDA.

v A concentração de renda no Brasil (1964) só se explica pela ação repressiva do Estado, cuja política salarial e trabalhista visava impedir a barganha coletiva dos salários por parte dos órgãos representativo dos assalariados.
v O Estado tem por função básica manter e preservar a ordem constituída e, portanto preservar os direitos à dominação, no campo econômico, dos que têm legalmente a posse dos meios de produção. Ou seja, o Estado está a serviço da burguesia (mais-valia).
v Foi para garantir a reprodução da força de trabalho que o Estado fixou o salário mínimo, regulamentou em 8 horas a jornada normal de trabalho, concedeu aos assalariados o direito de férias, seguro contra acidentes de trabalho, pagamento adicional por insalubridade etc.
v E foi para assegurar os interesses do capital que o Estado passou a limitar a autonomia dos sindicatos e a colocar entraves ao exercício do direito de greve.
v O Estado também age como redistribuidor de renda, à medida que forneça serviços de saúde, merenda escolar, bolsas de estudo, educação, água etc. inteiramente ou quase de graça à população, o que pode representar um subsídio ao capital ou aos assalariados à medida que ocorrem as oscilações nos salários pagos pelas empresas.
v Esses recursos de provém de impostos diretos como, por exemplo, Imposto de Renda. Mas também pode ser através de impostos indiretos como, por exemplo, Imposto de Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Circulação de Mercadoria (ICM) etc. que são pagos pelos consumidores.

9. CONCLUSÃO

v A realidade social mostra profunda desigualdade na repartição da renda.
v A teoria marginalista atribui essa situação aos próprios indivíduos que teriam “liberdade” para optar por uma situação ou outra. Para eles, o remédio para a desigualdade reside numa mudança dos indivíduos.
v A teoria marxista explica a desigualdade como resultado do funcionamento das instituições econômicas, sociais e políticas. Para estes deveria ser abolida a questão da propriedade e posse privada dos meios de produção e como meta a eliminação da divisão da sociedade em classes.

10. PERGUNTAS E RESPOSTAS.

v O lucro é o valor bruto gerado na produção menos salários dos trabalhadores e desse lucro bruto ou excedente a empresa paga juros, aluguéis e impostos. O que sobra é o lucro líquido parte da qual é embolsado pela sua direção sob a forma de retiradas ou ordenados. Os ordenados dos dirigentes não são considerados lucros, mas despesas, porém fazem parte do excedente. Além disso, os dirigentes podem ter gratificação ou bônus anual.
v Do ponto de vista do desenvolvimento, uma parcela do excedente é o lucro líquido. Uma parte desse lucro é transferida aos acionistas, sob a forma de dividendos e o resto é usado para expandir o capital da empresa. Uma empresa pode também expandir sei capital emitindo mais ações ou tomando dinheiro emprestado. Mas se o lucro não for grande. Ninguém irá querer comprar as ações ou emprestar dinheiro em longo prazo.
v A taxa de lucro é muito importante para a acumulação, pois isto gera motivos para a expansão e meios de como fazê-lo.
v A concentração de renda implica em lucros mais elevados e maior acumulação de capital e, portanto, mais crescimento e desenvolvimento. Entretanto tira recursos do proletariado a favor do capital e favorece o subproletariado, pois pode auxiliar este a entre no exército industrial ativo.
v Pode haver desenvolvimento com boa ou má distribuição da renda. Quando ela é boa, o Estado se apossa de grande parte do excedente, impedindo que ele seja desperdiçado em consumo de luxo e o fornecendo às empresas para fins de acumulação. No caso da má distribuição, os lucros são muito altos, permitindo uma elevada margem de desperdício e ainda assim uma farta acumulação de capital também e isto acaba beneficiando os que já são privilegiados.
v O critério de definição das classes sociais usadas pelos marxistas são as relações de produção. Ao participar da produção, as pessoas entram numa rede de relações sociais e a posição que ocupam nesta rede define sua posição na classe. Se a pessoa participa da produção da produção capitalista, ela tem de trabalhar numa empresa. Sua posição de classe está determinada pelo poder de mando que o cargo ocupado pelo indivíduo lhe confere.
v Classe média é um conceito derivado de outro referencial teórico (sociologia funcionalista). Esta pensa em termos de uma estratificação social contínua, na qual as pessoas ocupam posições altas, médias e baixas.
v Segundo Max Weber (análogo às relações de produção de Marx), pessoas que tem a mesma posição no mercado e participam da das mesmas práticas de consumo formam uma classe social. De acordo com esses critérios, se consideram como sendo de classe média as pessoas com renda mais ou menos elevada, bastante escolaridade e que consomem artigos da moda (lançamentos da indústria de bens duráveis).
v Muitos pequenos burgueses são produtores autônomos (camponeses), em virtude de seu estilo de vida, se enquadrariam na “classe baixa”.



REFERÊNCIA

SINGER, Paul. Repartição da Renda. In: Aprender economia. SP: Contexto, 2004.


Joyce C. L. Gomes - RGM 61096 - Up & Down - UMC - Mogi das Cruzes/ SP